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(continuação
da 1ª Página)
Regresso
ao Passado Vivo de Lagos
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Embora o período
que estivemos a recriar antecedesse em 200 anos a existência
de tal fortaleza, os velhos muros beijados pelo Atlântico,
ancorados na praia que tantas barcas e caravelas viu
partir em demanda de novas terras e de promissores caminhos,
ganhou por dias a vida permanente do quotidiano de uma
guarnição militar.
24 sobre 24 horas a Ordem reviveu a
dureza do dia-a-dia de uma guarnição cujo
objectivo consistia em assegurar a vigilância
do mar fronteiro, defendendo a população
de Lagos das depredações que, afoitamente,
a pirataria da mourisma tentava, destruindo, matando,
pilhando, arrastando para a escravatura homens, mulheres
e crianças.
Em duas das câmaras da fortaleza
se reconstituíram a casa-da-guarda e os aposentos
do capitão. Na primeira, grossos braçados
de armas de haste se arrimavam, prestes, aos cantos;
duas mesas de pinho e alguns bancos corridos serviam
de porto aos guardas nas horas de ócio, acolhendo
agora viandas e vinhos, deixando depois rebolar os dados
da sorte… Ali se recolhia o sono depois da vigília
bélica pelos muros, à noutinha.
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- Em guarda na Fortaleza -
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- A exposição
viva na Casa da Guarda... |

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... e na Câmara
do Capitão da Fortaleza - |
- Tiro com Arco nas muralhas de Lagos
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Na sua câmara,
o capitão, abancando à mesa ampla, despachava,
escrevia missivas, ordenava velas e atalaias, conferenciava
com privados.
Assomado o escuro, após
um breve alardo no pá tio-de-armas, só
se ouviam as passadas das velas nos lágeas de
pedra, entreolhando rebrilhos soltos em celadas e alabardas.
E o marulhar do mar, batendo contra a pedra oblíqua
do muro, ou espreguiçando-se no areal, calmava
e adormentava.
Redigiu-se Recriação
Histórica a sério em Lagos. A afluência
e o interesse do imenso público, nacional e estrangeiro,
que visitou a fortaleza durante os três dias do
evento expressou inequivocamente a mais-valia que significa
ter um monumento permanentemente alfaiado com os utensílios
da época e as pessoas que deles fazem uso como
os nossos avoengos o fizeram.
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- Corpo da Guarda da Ordem no Desfile
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- Uma das várias Mostras-de-Armas
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- O preparar e carregar
da Bombarda... |
- Fogo! |
Salas habitualmente
despidas do passado remoçaram com tapetes, leitos,
mesas, bancos, arneses, elmos diversos, armas de todos
os tipos, missivas seladas ou em curso de escrita, escudelas
com refeições meio comidas, vinho meado
cortando a secura das horas, tinteiros e rolos de pergaminho,
aprestos de banhar e de barbear, a vida palpitante dos
pequenos detalhes e dos vulgares gestos inundando os espaços
e o tempo.
A rudeza militar de vigílias
de guarda efectiva, noites estremunhadas, levantar de
madrugada, celebrar a missa e quebrar o jejum com frugalidade.
Sentir o frio, a chuva e o sono. Debelar o tédio
das horas de vigia. E sentir o cheiro da pólvora,
em disparos de colubreta, espingarda de mecha e bombarda.
Só pela experiência se
pode tentear a História e mostrá-la, no
Presente, com a realidade possível ao espectador
do Tempo que há em cada visitante.
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